PRIMEIRA EDIÇÃO | A agenda dos CEOs durante o COVID-19

Durante o primeiro encontro da série C-Talks by TalensesExecutive, Ana Paula Bogus (General Director da Rappi),  Roberto Funari (CEO Alpargatas), Luiz Valente, (CEO Talenses Group) e João Marcio Souza (CEO Talenses Executive) compartilharam suas experiências, desafios, iniciativas e otimistas perspectivas para o mundo dos negócios em meio a esta crise pandêmica inédita em nossa geração.

Pano de fundo central do painel de debate, o levantamento exclusivo realizado pela Talenses com mais de 250 executivos e executivas de diversas empresas do país mostra a reviravolta das prioridades estratégicas das organizações antes e após o surgimento de questões relevantes envolvendo o COVID-19.

Nesse sentido, a pesquisa mostra que antes do COVID, as empresas dirigiam seus esforços principalmente para:

• aumentar seus lucros, sua produtividade e eficiência; e
• inovar / desenvolver novas soluções.

No entanto, outras passaram a ser as prioridades das organizações com o aparecimento da pandemia. São elas:

• preservar a equipe de colaboradores / evitar demissões;
• aumentar produtividade / eficiência, mantendo os negócios no mesmo patamar de resultados conquistados no ano anterior

Prioridades. Para Ana Paula Bogus, a prioridade da Rappi neste momento é a segurança de todos, não economizando esforços para que todos os players parte do ecossistema da Rappi estejam protegidos. Ações de cuidado que vão desde quem está na ponta deste ecossistema utilizando o aplicativo em suas casas, até os shoppers que atuam na rua – seguindo todos os protocolos de segurança e treinamentos digitais – possibilitando que mesmo quem faz parte dos grupos de risco tenha acesso a serviços / produtos essenciais. Claro que a demanda aumentou, e novas contratações precisam seguir o mesmo ritmo, sempre com o mesmo grau de cuidado e segurança.

Como prioritários, Roberto Funari indica 3 grandes pontos focais: saúde das pessoas / saúde dos negócios / apoio à sociedade. E continua afirmando que percebe a formação de uma corrente do bem, em que organizações hoje se unem para promover ações solidárias tanto para manter a saúde das pessoas, quanto para também manter a saúde financeira de quem se encontra em situação de vulnerabilidade econômica.

Iniciativas Sociais. Ana Paula destaca novas e interessantes iniciativas da Rappi por meio de botões no próprio aplicativo. Assim, os usuários podem utilizar a Rappi para:

• acessar notícias oficiais do Governo de São Paulo e do Ministério da Saúde, se mantendo longe de fake news;
• fazer doações a uma das 5 ONGs parceiras da Rappi, por meio da compra de cestas básicas; ou
• pedir ajuda e se comunicar com profissionais especializados caso seja vítima de violência doméstica.

Roberto Funari também ressalta ações da Alpargatas para ajudar os mais necessitados nesse momento tão delicado. Além de adaptar parte da atividade de suas fábricas para produzir máscaras e doar 50 mil pares de Havaianas para profissionais da saúde, a Alpargatas se juntou a outras empresas para distribuir kits em comunidades vulneráveis, com mais de 500 mil itens de alimentos, limpeza e vestuário.

Conhecendo e se adaptando ao “novo normal”. Home office é a pauta do momento nas empresas. As que não tinham políticas para o home office e não adotavam a prática tiveram que se readaptar em poucas semanas para a nova realidade. E, hoje, tanto Ana Paula Bogus quanto Roberto Funari concordam que o home office é algo que veio para ficar. “As pessoas vão poder escolher ir ao escritório quando quiserem”, afirma Ana Paula.

Tema presente em quase toda a discussão, inegável perceber que processos digitais estão em plena evidência. Uma aceleração digital inevitável, antecipada pelas consequências do isolamento social. Nas palavras de Funari, as reuniões se tornaram mais eficientes, e a o que se nota é um aumento na produtividade. “O COVID foi o grande transformador de empresas”, afirma.

Interessante notar ainda que o processo de digitalização não fica restrito apenas às organizações, mas é também tendência dos próprios consumidores. “Aumentou o número de usuários mais velhos nas plataformas da Rappi. O número de pessoas com mais de 61 anos triplicou”, comenta Ana Paula Bogus. Para acompanhar essa tendência, a Rappi compartilha vídeos que ensinam como baixar e mexer no aplicativo, e está concedendo 1 mês de assinatura PRIME para estes usuários.

O Protagonismo do RH nas empresas. “Essa é, antes de qualquer coisa, uma crise humana”. A fala do CEO da Talenses Executive, João Márcio de Souza, foi compartilhada por todos os participantes do painel, e ressalta o protagonismo do profissional de recursos humanos nesse momento. Roberto Funari acrescenta ainda que hoje não toma nenhuma decisão sem consultar o responsável pela área de “Gente” da Alpargatas. Sem dúvidas, diante de uma crise inédita capaz de abalar não só estruturas econômicas dos agentes de mercado, mas também a saúde mental das pessoas, o protagonismo do RH passa a ser evidente.

Competências-chave. Para Ana Paula, resiliência e adaptabilidade definem este momento. Além disso, bate forte na tecla de uma comunicação transparente, com canais fluidos e abertos que possibilitem interações nos 2 sentidos (de líder para liderados e vice-versa). Roberto Funari reforça a mudança de cadência na tomada de decisões, que hoje acontecem em um ritmo muito mais eficiente. Luiz Valente, CEO do Talenses Group, reforça que equilíbrio emocional, alta capacidade analítica e de comunicação, e o toque humanizado do CEO são as competências mais valorizadas no atual momento. Além disso, reintegra que um grande desafio de um CEO hoje é manter intactos os valores da organização.

Aprendizados / Perspectivas. O otimismo tomou conta do painel. Ana Paula se diz “uma otimista convicta”, que acredita que o ecossistema de ajuda veio para ficar. Assim com o home office. Elenca como 3 os principais aprendizados deste momento: “resiliência, adaptabilidade e visão de futuro”.  Roberto Funari afirma que “o grande desafio é que as mudanças estão acontecendo em tempo real e a gente ainda não entende os efeitos colaterais que isso pode provocar”. E frisa o aumento de produtividade, a aceleração de processos digitais e o novo ritmo de tomada de decisões como movimentos benéficos para as organizações. Sob a perspectiva do setor de recrutamento e seleção, Luiz Valente e João Márcio compartilham a visão de que a área de RH tem um papel estratégico na gestão dos negócios, e precisam estar 100% alinhadas com o board das companhias sobre o dia a dia e todos os impactos em termos de cultura organizacional e pessoas. O RH nunca esteve tão em evidência, e, apesar de o contato pessoal continuar exercendo influência inegável no cotidiano organizacional, a tecnologia vai acelerar e contribuir ainda mais para que à distância seja uma realidade viável e eficiente.


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